20 May Guia do calçado de segurança: Como escolher de acordo com a norma EN ISO 20345:2022+A1:2024
Quando falamos de prevenção de riscos profissionais, temos tendência a pensar em grandes estruturas ou em maquinaria pesada. No entanto, uma base muito importante da saúde de um operador reside, literalmente, nos seus pés. Um trabalhador industrial dá, em média, 10 000 a 15 000 passos por dia em superfícies duras, irregulares ou potencialmente perigosas.
Neste contexto, o calçado de segurança Cofan não deve ser entendido apenas como equipamento de proteção individual (EPI), mas também como uma solução ergonómica essencial para reduzir as baixas por doença devido a fadiga crónica, problemas de coluna ou lesões articulares.
A regulamentação deu um salto qualitativo, pois já não basta usar botas com biqueira de ferro. A este respeito, a norma EN ISO 20345:2022+A1:2024 atualizada já é totalmente aplicável nas inspeções do trabalho, e compreender as suas nuances é a diferença entre uma empresa que cumpre a lei e uma que garante a excelência operacional. Aqui está um resumo de tudo o que precisa de saber para ter sempre à mão o calçado de segurança adequado para o trabalho que está a fazer.

1. Que alterações é que a nova norma EN ISO 20345:2022+A1:2024 introduz na União Europeia?

A transição da norma de 2011 para a versão de 2022 causou alguma confusão nos departamentos de compras e de prevenção de riscos profissionais (PRP). A mudança mais drástica encontra-se na simplificação e, ao mesmo tempo, no aumento dos requisitos para os testes de segurança. Isto porque já não se trata de uma proteção genérica, mas de uma certificação mais específica para os riscos reais do ambiente atual.
Um dos pontos-chave é o desaparecimento das antigas marcações de resistência ao deslizamento: SRA, SRB e SRC. Estas foram integradas no requisito básico ou substituídas pela marcação SR. Se os sapatos que está a comprar não tiverem esta nova nomenclatura, é possível que sejam modelos certificados ao abrigo da norma anterior, pelo que é aconselhável verificar o seu desempenho em termos de resistência ao deslizamento.
Para melhor compreender a forma como estas alterações são aplicadas na prática, é útil analisar algumas das novas marcações introduzidas pelo regulamento.
2. Resistência ao deslizamento: Compreender a marcação obrigatória de SR
O escorregamento é a causa número um de acidentes em armazéns e unidades de processamento. A nova versão da norma estabelece que, se um sapato tiver o rótulo SR, passou nos testes de aderência mais rigorosos. Isto é vital em sectores como a restauração industrial ou a indústria química, onde os derrames de óleo ou líquidos são constantes.
Anteriormente, a confusão entre SRA (sabão) e SRB (glicerina) dificultava a escolha. A marcação SR garante agora que a sola foi concebida com um coeficiente de fricção mais elevado. Se o calçado não apresentar qualquer marcação de segurança, apenas cumpre o nível de segurança básico (marcado com o símbolo Ø), o que é frequentemente insuficiente para ambientes de trabalho dinâmicos. Portanto, escolher o relevo da sola adequado permite um antideslizamento ótimo perante líquidos, evitando o «efeito aquaplaning» no pé do trabalhador.
3. Proteção contra a perfuração: Diferenças entre P, PS e PL

Este é talvez o ponto mais técnico e relevante para a construção e a indústria pesada. Isto porque, tradicionalmente, a letra P indicava que o sapato tinha uma palmilha antiperfuração. Mas de que material estava feita e de que tipo de pregos nos protege?
A norma EN ISO 20345:2022+A1:2024 introduz uma classificação de acordo com o diâmetro da agulha de ensaio que é importante ter em conta:
- P (Aço): Mantem-se para as palmilhas metálicas. É impenetrável e robusta, mas aumenta o peso e reduz a flexibilidade ao caminhar.
- PS (Textil-Perforation Small): Certifica a proteção contra agulhas com um diâmetro de 3 mm. Trata-se de uma proteção de alta densidade, ideal para ambientes onde existe o risco de pregos finos ou pequenas lascas de metal.
- PL (Textil-Perforation Large): Testada com uma agulha de 4,5 mm, é a proteção padrão oferecida pelos sapatos ou botas de segurança mais leves, proporcionando total flexibilidade e cobrindo 100% da superfície plantar.
Esta classificação permite selecionar o calçado de segurança mais adequado em função do risco de perfuração em cada ambiente de trabalho.
4. Novas marcações WPA e LG: Inovações para trabalhos em altura e em condições de humidade

Uma rotulagem mais precisa permite escolher o calçado adequado para cada risco, evitando a compra desnecessária de modelos pesados ou, pelo contrário, de modelos insuficientes para o trabalho a efetuar.
Neste contexto, o antigo acrónimo WRU (resistência à absorção de água do corte) foi substituído por “WPA“. Se vir um sapato com o selo WPA, isso significa que os materiais da parte superior foram tratados para resistir à penetração de água de forma muito mais eficaz do que os modelos normais.
A marcação LG (Ladder Grip) é particularmente útil para instaladores e trabalhadores de manutenção. Indica que o calcanhar da bota incorpora um desenho específico com ranhuras transversais que permitem uma melhor aderência aos degraus das escadas de mão. Este pormenor técnico reduz significativamente o risco de quedas de diferentes níveis, uma das causas mais graves de acidentes no sector da construção.
5. Classificação por ambiente: Qual o calçado Cofan a escolher para cada sector?
Para facilitar a gestão dos EPI, elaborámos o seguinte quadro comparativo com base nos riscos mais comuns identificados pelas seguradoras de acidentes de trabalho em Espanha. Isto foi desenvolvido porque nem todos os trabalhos exigem uma bota pesada e nem todos os sapatos leves são adequados para todas as oficinas.
Calçado de segurança S1P: O auge da leveza nos interiores
Na última década, assistiu-se a uma tendência imparável no mercado nacional: a passagem da bota rígida para o sapato de segurança de tipo urbano. A este respeito, o calçado S1P responde à procura de conforto desportivo sem sacrificar a proteção, uma vez que são modelos ideais para trabalhadores de armazém ou carpinteiros que trabalham em ambientes secos.
A chave do seu sucesso reside na sua respirabilidade e no seu design. Um pé que respira é um pé menos propenso a bolhas e micoses (fungos). Para tal, as gamas de calçado S1P utilizam tecidos técnicos altamente resistentes que permitem a evacuação do calor gerado durante o dia, mantendo os pés secos e frescos mesmo em edifícios industriais com temperaturas elevadas durante os meses de verão.
Botas de segurança S3: Proteção total contra as intempéries
Quer se trate de profissionais que trabalham ao ar livre, no sector agrícola ou em obras públicas, o calçado com categoria S3 é a referência absoluta. A principal diferença em relação ao S1P é a resistência à penetração de água (a atual marcação WPA). Uma bota S3 é feita de couro de primeira qualidade ou de microfibras hidrofugadas que mantêm o pé isolado em condições de chuva ou lama. Além disso, estas botas incorporam uma sola com relevos muito mais pronunciados (denominados «cravos») para garantir a tração e o antideslizamento em pisos macios ou instáveis.
Se o seu dia de trabalho inclui caminhar em terrenos não pavimentados, o apoio do tornozelo oferecido por uma bota S3 é essencial para evitar entorses e distensões acidentais.
6. Porquê escolher biqueiras em composite em vez das tradicionais de aço?
Se ainda usa sapatos com biqueira de aço, vai gostar de conhecer as vantagens da tecnologia composite, integrada na maioria dos modelos Cofan.
O composite é um material sintético de alta resistência que oferece a mesma proteção contra impactos de 200 joules que o aço, mas com as seguintes vantagens adicionais:
- Isolamento térmico. O aço transmite o frio e o calor, ao passo que o composite não o faz. Desta forma, é mantida uma temperatura interior mais estável tanto no inverno como no verão.
- Leveza. Reduz o peso total do sapato em até 30%, reduzindo a carga muscular nas pernas.
- Livre de metais (metal-free). Não ativa os arcos de segurança e é ideal para eletricistas, uma vez que não conduz a eletricidade.
- Efeito de memória. Ao contrário do aço, o composite recupera normalmente a sua forma após o impacto, facilitando a remoção do pé, se necessário.

7. O fator ESD e a proteção contra descargas eletrostáticas
Trabalha rodeado de componentes eletrónicos, microchips ou em ambientes potencialmente explosivos (zonas ATEX)? Nesse caso, necesita de calçado com marcação ESD (Electrostatic Discharge).
Este tipo de calçado é frequentemente confundido com o calçado anti-estático comum, embora o calçado ESD seja muito mais restritivo em termos de resistência elétrica. Estes modelos estão concebidos para dissipar continuamente a carga estática acumulada pelo corpo para o chão de forma controlada. Como resultado, protege-o dos equipamentos delicados com que trabalha e até evita os incómodos choques estáticos ao tocar em superfícies metálicas, melhorando o bem-estar geral durante o dia de trabalho em ambientes industriais modernos de alta tecnologia.
8. Manutenção e vida útil: Quando renovar as suas botas de segurança?
Mesmo o melhor calçado de segurança do mundo tem um tempo de vida limitado. A utilização diária degrada a capacidade de absorção de impactos da sola e a integridade dos materiais. Por conseguinte, é um erro comum esperar que o sapato esteja estragado no exterior para o substituir, uma vez que as caraterísticas de segurança se perdem frequentemente antes de a deterioração ser visível no exterior.
A Cofan recomendam uma inspeção minuciosa do calçado de 6 em 6 meses. Neste contexto, se o relevo da sola for inferior a 2 milímetros, a bota deixa de garantir a aderência SR contra o deslizamento. Além disso, se a bota tiver sofrido um impacto grave ou uma perfuração, deve ser imediatamente substituída. Embora esteticamente pareça intacta, a estrutura interna pode ficar comprometida, deixando o trabalhador desprotegido perante um possível segundo incidente.
A sua segurança começa nos seus pés
A escolha do calçado de segurança adequado exige um equilíbrio perfeito entre o cumprimento rigoroso da nova norma EN ISO 20345:2022+A1:2024, o conforto ergonómico necessário para jornadas prolongadas e a adaptação tecnológica aos riscos de cada posto de trabalho.
Quer procure a extrema leveza de um sapato S1P para a logística ou a robustez impermeável de uma bota S3 para a construção ou a logística, na Cofan encontrará uma solução certificada que garante a sua saúde e a da sua equipa.
Lembre-se que um trabalhador confortável é um trabalhador mais produtivo e, acima de tudo, um trabalhador mais seguro.
Em seguida, respondemos a algumas das perguntas mais frequentes sobre a utilização, a manutenção e as caraterísticas do calçado de segurança.

Perguntas frequentes (FAQ)
Como prolongar a vida do seu calçado?
Para maximizar a vida útil do seu calçado, nunca deixe as botas molhadas a secar diretamente sobre um radiador ou ao sol, pois isso cristaliza as colas e racha o couro. No entanto, pode sempre optar por uma secagem natural, à sombra.
Por outro lado, a rotação do calçado (alternância entre dois pares) permite que os materiais recuperem a sua forma e que a humidade interna seja eliminada, evitando a proliferação de bactérias.
O que significa a marcação SC (Scuff Cap) que aparece nas fichas técnicas?
Trata-se de um reforço adicional aplicado na zona exterior da biqueira. Foi concebido para trabalhadores que passam muito tempo de joelhos (como pedreiros, ladrilhadores ou mecânicos), evitando o desgaste prematuro do material do calçado nessa zona crítica.
Como é que o peso do calçado afeta a coluna vertebral?
Sapatos demasiado pesados obrigam-no a alterar o seu passo e aumentam a tensão na zona lombar. A utilização de biqueiras de composite e palmilhas têxteis ajuda a manter um alinhamento corporal mais natural, reduzindo o risco de dores nas costas a longo prazo.
Qual é a diferença entre calçado hidrófugo (WPA) e impermeável (WR)?
O calçado com a marcação WPA resiste à penetração e absorção de água no material exterior durante um determinado período de tempo. No entanto, a marcação WR (Water-Resistant) indica que todo o sapato é impermeável, geralmente graças a uma membrana interna tipo meia que impede completamente a passagem da água.
Posso lavar os meus sapatos de segurança na máquina de lavar?
De modo algum. O processo de lavagem mecânica e os detergentes agressivos podem degradar as propriedades antiestáticas, enfraquecer as colas das solas e deformar as proteções internas. A limpeza deve ser sempre feita manualmente com um pano húmido.
Por Rosana Bartet
Membro da equipa de Habitium.com
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